Uma palavra sobre infidelidade


Conversar honestamente é a primeira coisa que um casal deveria fazer para se proteger da infidelidade. A segunda é manter o relacionamento vivo. 

Para isso, é preciso guardar o melhor de suas energias para o parceiro, e não privilegiar o mundo - os amigos, os filhos, a família e o trabalho-, deixando para o parceiro apenas o que sobrou de você.


A narrativa moderna sobre infidelidade quebra a ambição do grande amor da vida. A monogamia não é ter uma pessoa para a vida inteira, mas uma pessoa por vez. Se escolhi você, por você, não fico olhando ao redor para ver se tem mais alguém. Por você, eu me torno exclusivo...

Veja bem, isso nunca aconteceu antes. Nossos avôs e avós viviam em um mundo em que sabiam da existência do “outro” ou da “outra”. Eles não esperavam amor e a paixão do casamento. O amor e a paixão aconteciam com alguém de fora do matrimônio.


Ou seja, infidelidade e fidelidade não tinham nada a ver com amor de um casal. A fidelidade era praticamente um princípio econômico. O homem tinha de garantir que a herança quando morresse, fosse mesmo para os filhos de sangue, e a mulher sabia que poderia engravidar se fosse infiel. - Era um sistema econômico para manter o patrimônio.


Hoje as pessoas traem porque o casamento falhou como portador do amor e da paixão prometidos. Se você me trai, você trai a ambição de um grande amor. Você quebra totalmente minha confiança.

E a traição é só um dos elementos da experiência de infidelidade.


Ninguém casa e diz que a infidelidade vai fazer parte da nova vida. Ninguém vai dizer “eu vou trair você”. 

Quando você casa, você promete ser fiel, por isso, vou confiar em você.

Fidelidade é um contrato de confiança.


Há novas formas de infidelidade. Tem pessoas que me procuram porque descobriram que o parceiro tem um caso. Mas tem também quem vem porque o parceiro se conectou com a ex-namorada via Facebook, ou então, porque se sentiram traídos com pornografia e não concorda com isso... Todas essas novas formas de infidelidade entram em meu consultório junto com o paciente.


Não existe igualdade de gênero na infidelidade. Homens sempre têm a licença de trair e todas as explicações estão na natureza do homem. Ele fica entediado. Ele tem o direito. Ele quer novidades. Mulheres querem monogamia, segurança, fidelidade e, quando trai, ela está se sentindo miserável, desesperada e infeliz. As consequências para elas são sempre muito piores do que para eles... E se existe a consciência de que as consequências são terríveis, bom, você precisa pensar duas vezes antes de agir. Nós nunca saberemos o que a mulher realmente quer até que as consequências sejam as mesmas para ambos os sexos.


O casal vai precisar de uma conversa racional, que começa com discussão sobre quem traiu. Não cabe querer saber detalhes (como quantas vezes, as posições ou coisas parecidas), mas entender o que LEVOU à traição. E quem traiu tem de reconhecer, sim, que mentiu, tem de se desculpar e expressar que se sente mal por ter ferido o outro  – mesmo que ache que o caso foi uma experiência maravilhosa. 


Entender o que aconteceu faz parte do processo de recuperar a confiança. E para que haja o perdão, é preciso mostrar empatia com o sofrimento do parceiro. Daí, então, o casal pode ser capaz de discernir se quer se separar ou não. Algumas pessoas não querem por outras razões que não, o amor. Às vezes por medo de ficar sozinho, de perder o padrão de vida, a família – ou tudo isso junto.


Quando há um caso de infidelidade, a nova realidade se sobrepõe. Questiona-se tudo... Quando o parceiro estava segurando sua mão, de fato era na sua mão ou na da outra pessoa que pensava naquele momento? Quando ligou, queria ligar para você ou para outra pessoa? Isso é enlouquecedor. Quebra por completo a concepção de realidade. Quem mente sobre um caso pode mentir sobre outras coisas. Eu minto para você que quero ter filhos, mas nunca quis. Minto que gostaria de mudar para outra cidade com você, mas nunca de fato pensei nisso. Falo muito sobre uma série de intenções que nunca se realizaram. Tudo isso pode ser considerado traição.


Meu trabalho é abrir as cabeças para que o casal consiga ter uma conversa difícil, mas proveitosa. Às vezes, quando alguém tem um caso pela primeira vez na vida tem o sentimento de não estar mentindo, embora esteja enganando o parceiro. Meu trabalho é mostrar a complexidade da traição


Superar a adversidade de uma traição pouco tem a ver com mudanças absortas, mas sim da inteligência emocional. Tem a ver com empatia... Se você tem empatia por mim e quer saber o quanto me machucou, então eu também posso ter a empatia de entender por que você decidiu ter um caso.


A única coisa que protege um casal é manter um relacionamento forte e vibrante. Para isso, é preciso conversar desde o início sobre frustrações, sobre sexo, sobre sentimentos, de um jeito que, na verdade, as pessoas nunca falam. Os relacionamentos hoje vivem de negociação. No passado, os papéis eram definidos, seguiam-se regras pré-estabelecidas. Sabia-se quem deveria trazer o dinheiro e quem deveria alimentar a criança (Para entender melhor acesse o texto “AMOR MODERNO” aqui no blog). Nas sociedades hoje, as pessoas negociam quem deve ganhar o dinheiro, quem vai alimentar a criança, cuidar da casa, etc...

Para o homem essa mudança foi mais difícil, porque ele sempre teve mais liberdade do que a mulher. Hoje, o papel do homem é muito questionado. Acho que precisamos ter cuidado com a nostalgia. Estamos indo de um casamento de obrigações para um casamento com liberdade de escolhas – e é por isso que algumas pessoas dizem que estamos nos tornando individualistas, que não respeitamos os valores da família, não honramos os compromissos, e nos divorciamos muito rápido. Temos, sim, mais divórcios do que antes, assim como mais oportunidades de uma segunda chance de felicidade.


Se antes os pais passavam 30 anos vivendo em quartos separados e muitas vezes se odiando em nome da família, hoje as coisas mudaram muito. Hoje, a família só está feliz se o casal está feliz.


Amar é um verbo e não um estado permanente. Quando você ama, precisa fazer coisas que expressem isso. É um investimento em tempo, atenção, foco, criatividade e bom-humor. É importante amar mais até do que dizer “amor”.


Hoje existem mais expectativas sobre os relacionamentos do que em qualquer época passada. Porém, gasta-se mais tempo no trabalho, com as crianças, e menos com seu parceiro. Fica muito difícil ter um relacionamento feliz, né? Eu sempre digo que a qualidade do seu relacionamento determina a qualidade de sua vida. É preciso ser, ou aprender a ser, um excelente comunicador. Hoje mais do que nunca ser um bom ouvinte virou a chave para a negociação. 


Entenda as diferentes coisas, maneiras, vertentes da infidelidade e trabalhe dura para cuidar te todas as áreas da sua relação para que ela não ocorra em nenhuma de suas formas. Procure aconselhamento profissional se precisar.


Texto por Rafaella P.

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