Buscar
  • Cris Monteiro

Um novo mundo. - A vida sob quarentena.


Vamos conversar?

Quero começar esse texto com um exercício de respiração. Inspire. Expire. Se acomode.

Esteja calmo e confortável. Vamos lá.

Desde a última vez que nos falamos, nosso mundo mudou… Aliás, já tinha mudado, mas as coisas parecem ter tomado outras proporções em termos de uma nova realidade.

Aqui em São Paulo onde moro, começamos a ter uma boa noção do impacto do coronavírus… e só de pensar que isso é de um impacto mundial…

Do lado de fora temos pessoas corajosas, lutando com o novo inimigo invisível na linha de frente. Do lado de dentro, muitos de nós em quarentena começamos a nos adaptar a um novo “normal”.

Enquanto estamos distantes por obrigação, muitas pessoas neste momento estão se sentindo sozinhas… Outros estão presos dentro de casa com as mesmas pessoas o dia inteiro, todos os dias, e só gostariam de alguns minutos sem ninguém por perto.

Em todos os lugares do mundo, muitos de nós de nós estão trabalhando mais do que nunca! Já outros muitos acabaram perdendo o emprego... Alguns outros estão doentes e se recuperando. Mas, em alguns dias podemos ficar sabendo de alguém que talvez não se recupere… Ou que já não está mais lutando contra a doença.

Todas essas situações podem descrever pelo menos uma pessoa no mundo neste momento.

Isso não é maluco de se pensar?

Nós fomos simplesmente jogados nesse novo jeito de “viver”.

Tudo mudou. Desde o que sabemos, o que queremos, nossas expectativas...


Por exemplo, há semanas agora eu tenho trabalhado da mesa de jantar da minha sala. Daqui, deste cantinho da minha mesa, sou terapeuta para meus pacientes, mentora para meus alunos, CEO da minha própria empresa, palestrante através de lives, escritora para meu livros, cozinheira da família, mãe para meus dois filhos, planejadora de todos meus projetos, Vlogger do meu canal do Youtube (agora com estúdio caseiro improvisado), filha, amiga para aqueles que me são queridos, e claro, minha própria companheira e admiradora. Estamos experimentando, pela primeira vez, a colisão de nossas muitas funções - trabalhador(a), parceira(o), cuidador(a), pai, mãe, filho, amigo(a), professor(a), CEO e CFO de nossas vidas pessoais - tudo em um só lugar. E para muitos de nós, esse lugar pode ser um cantinho na sala de casa.


Se um dos meus filhos entra na sala enquanto estou em consulta, querendo saber se pode ir em algum lugar, ou se eu sei onde está o carregador do celular - de repente, sou terapeuta, mãe, organizadora e atrapalhada... tudo de uma só vez.


Muitos de meus pacientes compartilham um pouquinho comigo suas histórias de papéis sobrepostos e as dificuldades e lados bons que vem com essa colisão inevitável.

Você é a criança que se preocupa com seus pais, e também os pais preocupados com seus filhos... Você é o parceiro de alguém que agora ou está excessivamente perto de você ou excessivamente longe... Talvez você seja parceira(o) de um(a) profissional de saúde, com (a)o qual deve negociar os riscos e as proximidades também.

Você é o parente que não deixou seu irmão visitar porque ele não foi cuidadoso o suficiente e você não está disposto a correr os riscos.

Você é o pai, ou mãe, ensinando seus filhos, de repente precisando mostrar que é um gênio da matemática ou da geografia, um professor de música e um aspirante a gramática.

Você está atendendo conferências virtuais nas quais seus colegas podem ver diretamente em seu quarto ou sua sala, ouvir as crianças gritando e seu cachorro latindo, vendo abertamente - a evidência de todos os seus papéis.

O botão mudo se tornou o último limite.


Talvez, você se encontre surpreendentemente nostálgico com tudo isso, passar tempo em casa com a sua família... Ou talvez você seja mais como eu, que percebi, aos 46 anos, que estou no limite do grupo de risco. - Por mais que eu me sinta mais jovem que nunca, saudável e vibrante da minha essência nesta idade.

Talvez, também como eu, você seja alguém que trabalha com saúde ou com pessoas, e que está dando duro para ajudar seus pacientes a ficarem bem durante esse período de incertezas e medo. E mesmo assim... você ainda está trabalhando, pagando contas, ou desempregado, ou cuidando dos filhos… Estamos nos distanciando também das coisas que fazemos e os lugares onde vamos, não somente das pessoas que gostamos.


Mas esses desafios estão tendo um efeito colateral interessante: estamos vendo a possibilidade de uma nova maneira de ser. Estamos priorizando novamente. Estamos nos comunicando de maneira diferente. Estamos nos reconectando. Estamos desacelerando. Nós estamos cuidando.


Ao contrário da idéia de que precisamos apenas sobreviver a essa pandemia, precisamos não apenas cuidar de nossa saúde física, mental e emocional. mas também sermos criativos e fazermos mudanças concertadas em nossos relacionamentos. Devemos criar novos limites e dissolver aqueles que não nos servem mais.

Precisamos ser resilientes em aprender com os novos tempos.

Estamos todos juntos nessa.

E isso também passará. É preciso achar a beleza colateral e a vantagem das coisas que acontecem.

Fiquem em casa e fiquem bem.


Texto adaptado por Rafaella P.

Ilustrador não encontrado.

Fonte da ilustração - Pinterest


42 visualizações
  • Twitter
  • Instagram
  • YouTube

11 99117-6659

©2020 por Cris Monteiro.