Sobre relacionamentos excessivos.


E quando tudo isso passar?

Você já parou para pensar em como as coisas vão ser quando tudo se "normalizar"?

Será que o mundo vai "andar pra frente", quando essa bagunça passar?

Sempre me pego imaginando sobre o que as pessoas, individualmente, estão aprendendo nesse período de isolamento.

O fato é que a convivência em excesso, mesmo com as pessoas que se ama, pode ser um assunto delicado e, muitas vezes, complicado.


Por um lado, sentimos conforto e apreço. Afinal, é extremamente gratificante ter a quem se apegar diante de momentos de dificuldade.

Mas por outro…

Começamos a nos irritar mais facilmente. Afinal… estamos com essa galera praticamente 24 horas por dia. Passamos a prestar muita atenção nos detalhes/deslizes/vacilos/defeitos dessa (ou dessas) pessoa(s), por mais insignificantes que eles sejam num primeiro momento.


E por que isso acontece?


Bom, porque se você já fez todas as suas obrigações diárias/semanais, zerou o catálogo das séries interessantes do Netflix, desistiu de ligar a TV para ficar ouvindo as mesmas notícias cada vez mais desanimadas e cansou de mexer no celular, não há muito mais o que fazer, além de prestar atenção no ambiente ao seu redor. (Ou seja, no que os outros estão fazendo).


E é aí que encontra-se o problema.

Quando as atitudes dessa pessoa em questão não correspondem com as nossas expectativas, sejam elas altas, baixas, muito altas, ou até mesmo muito baixas.


Seja porque o barulho do seu marido comendo é estranho e te irrita…

Ou então, porque sua filha tem a mania chata de mexer nas suas coisas e deixar tudo bagunçado.

Sua mãe bem que podia pegar mais leve nas reclamações também né?

"Não aguento mais o barulho do meu filho tentando aprender a tocar bateria". Juro que ouvi essa esses dias!

E aquele cachorro que não para de latir? Putz… Sobrou até pro cachorro.


Entendeu aonde eu quero chegar?

Quando se tem tempo para reparar excessivamente nas coisas, temos uma tendência a supervalorizar os pontos que nos incomodam.

A ponto de que até mesmo algo prazeroso, como o fato do filho estar aprendendo a tocar um instrumento musical, passa a ser algo potencialmente irritante, como no exemplo citado acima.


Estamos acostumados a sair, explorar, descobrir coisas novas, lugares novos, pessoas novas. De repente, nos vemos privados de (quase) tudo isso.

Muitas vezes, os dias parecem iguais. Tenho certeza que mais recentemente você já se pegou perguntando: "Que dia é hoje? Quarta? Será que é terça? Putz, ainda é terça".

E isso é porque nossas rotinas acabam se limitando às mesmas coisas de sempre.


Mas chega de falar do lado negativo. Já falamos muito dele.


Falemos daquele lado que faz nossos corações baterem mais calmos e nossas cabeças ficarem mais leves em meio a um período de tantas dúvidas, receios e ansiedades…

O lado que faz valer a pena acreditar em dias melhores.

Que nos faz acordar todo dia e saber que, por mais bagunçada que as coisas estejam mundo afora, vai ficar tudo bem, afinal, temos uns aos outros.


E é desse lado que devemos -sempre- lembrar. Ou pelo menos, tentar.

Digo tentar, porque sei que às vezes não vai dar.

O que importa é manter isso em mente.

Aos poucos, você vai perceber que aquela característica irritante daquela pessoa nem é tão irritante assim, se você estiver ocupado se preocupando com outra coisa.

Aquela mania da sua mãe que você achava irritante? No final das contas, até que ela é engraçada e dá pra dar umas risadas…


Todos nós, antes de mais nada, somos pensamentos, sentimentos, crenças e atitudes.

Esses fatores somados também formam aqueles que amamos e chamamos de família, seja de sangue ou não.

A grande sacada está em perceber que são justamente as peculiaridades de cada um que nos diferenciam como seres humanos.

Se todos nós fossemos iguais e perfeitos (seja lá o que isso signifique na concepção de cada um), o mundo seria um saco.

É extremamente necessário, para nossa evolução, que nos encontremos em situações de confronto e adversidade. É necessário que tenhamos desafios.


A partir daí, será possível olhar para esses problemas dentro de casa com uma outra visão.

Um olhar que, por um lado, é extremamente grato pelo fato de ter alguém para chamar de família.

E por outro lado… Encara os problemas e discussões como um treino.

Sim. Um treino… Para o que está lá fora, nos aguardando, quando tudo isso passar.




Texto adaptado por Otávio M.




190 visualizações
  • Twitter
  • Instagram
  • YouTube

11 99117-6659

©2020 por Cris Monteiro.