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  • Cris Monteiro

Sobre amor moderno

Atualizado: Abr 13


Por onde começar?


Como terapeuta matrimonial tenho por anos, ajudado casais a lidar com os diversos desafios dentro do espectro de um relacionamento.

Às vezes, reflexiva após minhas sessões, penso em como a definição de relacionamento em si e sua significância em nossas vidas mudou tanto recentemente. A chegada do famoso -“Amor moderno.”


Moderno porque, até não muito tempo atrás, não existia tal coisa como um terapeuta matrimonial, como eu. Isso porque, não haviam questões e problemas a serem discutidos e resolvidos pelo casal.

Veja bem, antes, basicamente, se casava com alguém e, bem... fim. Simples assim, você estava preso - para sempre.

Brincadeiras a parte, o término de um relacionamento já era definido pelas diversas influências que constituam a cultura do “até que a morte nos separe”. E se você não gostasse de como as coisas iam depois de um tempo, bom, o melhor que se podia fazer era esperar por uma morte mais rápida. Nada parecido como nos tempos de hoje, onde cultura é, ao meu ver, o “até que não haja mais amor”.


Antes, o êxito da dinâmica de uma família nunca dependeu da felicidade do casal em si. Entende? E este fator fez de um casal, uma grande “unidade central” da dinâmica familiar daqueles tempos. Unidade esta, que analisada hoje, do meu ponto de vista sobre o espectro todo que compõe um casamento - foi a que mais mudou em termos estruturais e de significância pessoal, do que qualquer outro fator e em um curto período de tempo.

Nunca antes investimos tanto no amor e, nunca antes houveram tantos divórcios e términos - em nome do amor.


O que de fato constitui o “amor moderno” não saberei dizer a vocês, afinal, suas regras estão sempre mudando.


Já eu, imagino um conceito de amor onde podemos experienciar nossas relações com vitalidade, força, intensidade, compreensão e vivência.

Tenho como minha verdade pessoal de que a qualidade de nossos relacionamentos determinam a qualidade de nossas vidas em si.

Os laços e conexões que mantemos com os outros nos trazem luz e um maior senso de significância na felicidade e bem-estar, do que qualquer outro tipo de experiência pessoal humana.


Então, deixe-me lhes perguntar uma coisa:

Quantos de vocês que estão atualmente em uma relação romântica pensam, pelo menos de vez em quando, que não gostariam de estar nessa relação?


Os relacionamentos atuais estão se transformando. As normas de como tudo se dá estão, literalmente, mudando bem na nossa frente, e nós estamos sempre mudando nossas regras e isso requer grande capacidade de adaptação.

Por muito tempo, casamentos eram muito simples, isso porque já eram ditados por regras das quais não fomos nós que escolhemos. Fosse por influências religiosas, por senso comum da época ou status social, o que seja. Relações tinham restrições claras, tinham estrutura definida e proibições.

A hierarquia social também nos ditava muito; Nos dizia como falar com nossos filhos, como falar com nossos maridos ou mulheres, como nos dirigir aos mais velhos, etc.

As coisas eram claras e, todas as decisões eram feitas por nós.


Já era decidido quem alimentaria o bebê a noite;

Já era decidido quem seria o provedor;

Quem levaria os filhos para escolha;

Quem não poderia ir em festas desacompanhados;

Quem teria o direito de exigir sexo.


E agora, nesse momento, por bem ou por mal, desconstruimos todo este sistema e criamos um universo de opções, de escolhas e, pela primeira vez, de liberdade.

Como resultado, hoje em dia temos que negociar tudo que for relativo ao espectro que constitui a relação. Tudo está aberto a discussão. Já não é mais claro quem vai levantar para alimentar o bebê a noite ou de quem a carreira será priorizada se necessário.


Pela primeira vez podemos nos permitir analisar e pensar sobre nossas relações. O que as constituem e qual será o seu legado.

Podemos agora nos perguntar: estamos felizes o suficientes aqui?

E é aqui que eu apareço nessa história. Entende? Eu e todos os profissionais da minha área surgimos com o propósito de ajudar nessas negociações e ajudar a construir um legado saudável e feliz.


Agora, para resolver tudo, temos de falar sobre coisas que nunca conversamos antes e que, na maioria das vezes, não sabemos como falar. Todas essas grandes questões que antes não eram nem perguntadas… E agora temos que decidir tudo, e ainda juntos.


É por essas e outras que, quando falamos de “Amor moderno”, o diálogo se tornou a essência e fundação para o êxito de qualquer relacionamento dos tempos atuais.


Já vou avisando que, caso tenha problemas, não tenho dicas de 3 passos que você possa seguir para resolver essa questão. Por algum motivo, tendemos querer soluções fáceis e práticas para tudo.

O motivo de não ter uma solução fácil é porque essa questão não é um problema que precisa ser resolvido. - São apenas paradoxos que precisam ser manejados.


Pela primeira vez estamos nos aproximando do nosso companheiro com o objetivo de construir em conjunto, de amar e de ser feliz. Não queremos somente as coisas tradicionais como filhos, status social, “parceria” e sucesso econômico. Podemos, ou não, querer todas estas coisas mas, queremos em adicional disto tudo que esta pessoa seja nossa melhor amiga, nosso confidente e nossa fiel companheira.

A ambição romântica de hoje em dia exige muito. Essa é a verdade.

Não que seja errado querer todas estas coisas, mas é preciso enxergar o alto número de demandas. E reconhecê-las quando forem atendidas, porque olha, não é fácil.

As vezes, quando não recebemos de volta alguma destas exigências, nos sentimos por muito, sós.

Temos então necessidades e demandas não atendidas, ficamos insatisfeitos, infelizes, distantes e não sabemos - não queremos, verbalizá-las.


Gostaria que pensassem nessas perguntas:

Como você se mostra na sua relação?

Com quanta frequência você “evita” dialogar?

Quais são algumas das táticas que você usa para se desconectar dos outros?

Quando foi a última vez que você leu um livro ou um artigo como esse para compreender melhor o outro e ser um parceiro melhor?


Me espanta o descuidado e o egoísmo. Pedimos tanto e olhamos tão pouco para nós mesmos dentro de nossas próprias relações.


Quando sabemos que a qualidade dos nossos relacionamentos determinam a qualidade das nossas vidas. O quão irresponsável é isso?


Minha missão aqui é elevar o relacionamento a um patamar onde os dois se vejam, se compreendam, dialoguem, construam e vivam juntos, felizes, intensamente e vividamente.

Ao meu ver, o amor moderno, traz em si um grande ponto positivo, além, obviamente, da liberdade e do entusiasmo.

Traz a necessidade de aprender sobre novas artes antes não vistas no casamento.

A arte da conversa.

A arte de ouvir, de entender, de respeitar.

A arte de aparecer para o outro.

E a arte de trazer de volta a ideia do casal como unidade central, mas com a liberdade de poderem escolher -juntos- a demanda e o papel de cada um ali.


Ilustração: Eduardo Salles

Conteúdo original: Cris Monteiro (Youtube)


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©2020 por Cris Monteiro.