Perdoar uma traição... tem como?

Atualizado: Abr 1


Ilustração: Iker Ayestaran


Nesse exato momento em todos os cantos do mundo, alguém está traindo ou sendo traído.

Nenhum aspecto na vida de um casal causa tanto fascínio e medo como um caso extraconjugal.


O adultério existe desde o começo do casamento e das relações monogâmicas. Já foi muito debatido e desprezado, a tal ponto que, de todos os pecados, é o único que tem dois mandamentos na bíblia: um por consumá-lo e outro por apenas pensar nele.


Portanto, como compreender e processar este tabu consagrado com o tempo?


Os motivos das puladas de cerca variam bastante, assim como suas reações e consequências.

Algumas pessoas podem trair por tédio e por medo de intimidade, outras por solidão e necessidade de intimidade. Alguns casos são atos de resistência, outros já acontecem porque não oferecemos nenhuma resistência.

Tem aqueles que podem ser apenas uma necessidade de aventura, e os casos extraconjugais que já acontecem da vontade de emigrar daquela relação.


A questão é, certas infidelidades são mesquinhas. Sim, elas vem do puro tédio e conforto dentro de um casamento, onde aquela pessoa trai por aventura e para saber que ainda é atraente e desejada. Já outras, revelam um sentimento de paixão incontrolável.


O primeiro passo é apenas saber avaliar e enxergar os sinais.

Porque isso aconteceu com vocês?


Não importa se você foi a parte que traiu ou a que foi traída, as coisas doem agora e tudo está muito frágil.

A quebra da confiança entre vocês levou a uma exposição e vulnerabilidade perigosa, principalmente se ainda existir um sentimento vívido pela terceira parte.

Um caso é sempre muito destrutivo a uma relação.


“ Minha língua vai expressar o ódio do meu peito porque, se me controlo um pouco mais, meu coração estoura”

SHAKESPEARE, A Megera Domada.


Numa situação assim, você ( a parte magoada ), tende a oscilar entre a depressão e a indignação, vai do limbo e tristeza, a vontade de atacar de volta.

Podemos acabar nos machucando mais que o necessário, dependendo da nossa reação a infidelidade. Claro, é sempre muito difícil se controlar. Mas é importante saber se acalmar, até porque estamos muito voláteis e machucados, tendemos a procurar salientar nossos próprios erros e defeitos por ser mais fácil de se justificar, ou em um comportamento oposto, querer a vingança.


“ Tem dias que eu acho que vou superar, mas ai de repente me tomo de ódio e minha vontade é nunca mais ver a cara dele ”


Por sermos os atingidos, nós, traídos, acabamos tomando o lugar de determinar os fardos, erros, consequências e castigos, sobre a parte que traiu. Mas será mesmo que só porque fomos muito magoados, temos o direito de suprir nosso próprio ego, castigando alguém?

No fim, do que isso adianta?

Você nunca errou ao longo da relação também?

Claro, talvez não nessas proporções e, talvez, nunca tenha sido infiel. Mas a questão é: Todo mundo erra. A diferença é que nem todo mundo entende e se arrepende verdadeiramente de errar.

Uma boa parceria tem os dois no mesmo patamar, não adianta humilhar e maltratar a parte que errou.


O único jeito de restabelecer a confiança e intimidade é falando a verdade, se arrependendo e pela absolvição. E falo isso, de ambos. Ambos porque, no geral, a infidelidade é um sintoma de que algo deu errado na relação.

Se você tem tudo o que precisa em casa, não tem motivos para trair.


É importante olhar para dentro de vocês dois afim de perceber quando e porque as coisas começaram a desandar.

A infidelidade pode indicar sim narcisismo, imoralidade e deslealdade. Mas ela também diz muito sobre um casamento.

É importante compreender o que este caso fez com um, e o que significou para o outro.

Por isso a necessidade de abrir mão dos seus egos e falar a verdade. Caso contrário nenhum diálogo ou método vai funcionar.


Uma traição também pode abrir portas para um exame mais profundo de valores, personalidade, ambições e principalmente do poder dos erros.

É preciso ser sincero primeiro, para o outro e para você mesmo.

Seja justo e compreensivo.

O perdão só vem acompanhado da compreensão.


Para o que traiu, por alguns tempos haverá a necessidade de atitudes de demonstrem arrependimento. Uma compensação. Uma prova de que isto não vai acontecer de novo e que seu parceiro ou parceira não está errando ao te dar outra chance.

Abra mão do seu ego.

Pode ser difícil lidar com algumas reações, mas empatia e paciência são necessárias para o êxito da relação.


Um casal tem sim que prezar e trabalhar juntos pelo bem de defender a segurança e estabilidade. Em algum momento vocês vacilaram, houve uma brecha para que esta infidelidade ocorresse.

Aceite a dor.

Aceite as falhas do seu parceiro e as suas.

Aceite as falhas da relação de vocês.

Somente aceitando que nada nem ninguém pode ser perfeito e digno de errar também, pensando com calma e racionalmente que você poderá avaliar e processar a dor e as circunstâncias dessa situação.




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©2020 por Cris Monteiro.