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  • Cris Monteiro

A geração do desapego

Atualizado: Abr 13


Hoje falaremos sobre um tópico que tem se mostrado cada vez mais comum nos dias atuais, principalmente entre os jovens: o desinteresse.


Virou moda ser desapegado. Lembram daquele romantismo idealizado que, por muitos e muitos anos, motivou as pessoas a encontrarem o amor de suas vidas? Fez as pessoas acreditarem no amor, independente do momento e do ambiente ao redor. Aquela sensação da conquista, desde a primeira troca de olhares até o primeiro beijo… Pois bem, isso é coisa do passado.


"Mas como assim? Então quer dizer que os jovens pararam de se relacionar?"


Não!! Muito pelo contrário, os jovens estão se relacionando cada vez mais, e cada vez mais cedo… Entretanto, o que muda é o estilo de relação construída entre eles.


Se antigamente (e nem precisamos ir tão longe no tempo assim), as pessoas valorizavam a atenção, o companheirismo e a fidelidade, hoje em dia, parece que há uma batalha para decidir quem é o mais indiferente da relação… Mas como assim?


O fato é que, se uns anos atrás, o que tornava uma pessoa mais atraente era o fato de ela se importar e demonstrar afeto, hoje em dia, parece que, quanto menos as pessoas se importam, mais atraentes elas ficam. E por que?


Virou tendência a ideia da auto-suficiência. A ideia de que a solidão é a maior das liberdades e de que você não depende de ninguém para ser feliz, além de si mesmo.


No papel, até que a ideia é legal, mas na prática…


Esse tipo de pensamento reflete diretamente no comportamento dos jovens no que diz respeito a seus relacionamentos amorosos. O que vemos hoje em dia são relações extremamente superficiais, nas quais os jovens migram de beijo em beijo e transa em transa, sempre no intuito de inflar o próprio ego e se sentir o "fodão" que pega todas ou a "desapegada" que arrasa os corações dos machos.


Esse pensamento contribui diretamente para que as pessoas estejam cada vez mais distantes umas das outras.


Ok.

É legal sermos auto suficientes?

Sim.

Estar em sua própria companhia é bom?

É.

Mas acreditar que você pode levar uma vida sozinho e simplesmente usar as pessoas que passam por ela, a fim de atender suas necessidades e desejos momentâneos, é narcisismo puro.


Chega um momento na vida de um homem (ou de uma mulher) em que ele (a) precisa de outras pessoas. E muita gente não entende que amor próprio não tem nada a ver com se amar mais do que amar o próximo. Amor próprio nada mais é do que a ideia de encontrar uma maneira de se envolver com outra pessoa, sem que precise deixar de amar-se.


Vivemos em uma geração em que ser egoísta é a nova tendência. E me desculpe, mas se você acha que sair com várias pessoas como se não houvesse amanhã vai te transformar em um independente afetivo, e que ter um coração de pedra é o caminho para não sofrer e manter a sua plenitude mental, tenho uma novidade para você: você está se enganando, uma hora a ficha vai cair e você não vai ter ninguém ao seu lado pra te confortar.


Portanto, amem!

Se apaixonem, se permitam viver grandes romances, grandes amizades, grandes histórias… Não tenham medo e não se deixem levar pelas inseguranças de outras pessoas, que preferem mascarar tudo isso agindo como beija-flores, que se alimentam, mas não voltam e, se voltam, não ficam.


Texto: Otávio Monteiro

Ilustração: Thinh Nguyen

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©2020 por Cris Monteiro.